Mission Log #012. Hoje a carta saiu em movimento. Mais ou menos. Foi ditada num app enquanto eu pedalava nos últimos 30 minutos livres do meu dia numa bicicleta ergométrica. Não foi no estúdio, não foi no caderno, não foi no horário. Pra quem chegou agora, #001 abre a série — o ritual diário que tem variantes, e o Claude é quem peneira o que vai pro site. Ou não.
Escrever os pensamentos no papel ajuda a fechar abas abertas no cérebro e conseguimos nos concentrar melhor. Até aí beleza. Mas eu notei uma coisa hoje com meu ritual:
Estou me acostumando a trabalhar em blocos de vinte minutos e isso mudou mais do que a quantidade de vezes que eu posto na internet por semana. Mudou meu trabalho. Mudou o jeito que eu crio os filhos. Mudou as conversas diárias com eles. Mudou minha saúde física e mental.
Nas horas que seguem minhas sessões de escrita eu tenho mais urgência pra terminar a tarefa da vez e mais clareza pra articular o que quero fazer depois.
Foi com esse pensamento que eu fechava a sexta-feira. Havia cumprido meus deveres de pai, de marido, profissionais e até pessoais; o sistema de extração tava rodando, um monte de proposta na rua e esta publicação diária encaminhada. Faltava o corpo, que foi jogado pra escanteio a semana toda. Por isso eu tava na bike, ditando o que queria dizer aqui pra editar depois.
Veja, num dia de 10 horas de trabalho cabem 30 blocos de vinte minutos. Mas a gente queima um terço disso olhando pra tela do celular. Todo dia. E ainda fala que não tem tempo!
A escrita virou ferramenta pra escapar dessa prisão digital. Escreva.
Escreva sobre o que tá acreditando agora. O que tem refletido. O que tá te aporrinhando.
É trabalho? Escreva sobre trabalho. Às vezes eu escrevo "bacon" quando não sei o que dizer.
Tenho só duas regras: não julgo se é bom ou ruim e não paro pra pensar na próxima palavra. Só escrevo.
Vinte minutos. Todo dia.
Tem dia que tô no caderno antes de começar a trabalhar. Tem dia que é só quando todo mundo dorme. Tem dia que escrevo direto sem ajuda do Claude. Tipo hoje, quando postei no LinkedIn uma enquete sobre o jogo que a gente joga na internet.
Tipo essa edição.
Plim.
