Mission log três. Pra quem chegou agora: o processo é o mesmo todo dia — porta fechada, caderno aberto, quarenta minutos de escrita à mão. Vinte antes de meditar, vinte depois. O Claude lê tudo e me ajuda a achar o que vale a pena trazer pra cá. O resto fica em casa. Pro contexto inteiro do projeto, o #001 explica.
Talvez hoje eu não estivesse escrevendo. Talvez fossem orações.
Desejos desesperados pra alguma coisa lá em cima que escute meus medos mais profundos. Universo? Deus? Source? As musas? Não faz diferença. O que importa é que hoje eu precisei de ajuda. Não pra escapar da minha vida — eu amo ela, não tem motivo pra sair — mas pra entendê-la.
Escrever (rezar) me tira da minha mente, que pode ser um lugar perigoso quando eu fico muito tempo lá dentro. Por isso fico feliz em me chamar de escritor, pelo menos naqueles vinte minutos antes de meditar. Escritor. Rezador. Servo fiel das palavras que aparecem quase por milagre na página.
A tensão vai sumindo. O incenso toma conta da sala. E a mente vai clareando — que é o que qualquer um precisa se quiser que as ideias andem.
Aí eu percebo: a curtida é um veneno.
A curtida deixa outras pessoas decidirem se o que você falou vale alguma coisa. E a gente, desesperado por pertencer, deixa o like dizer o que a gente vai continuar dizendo. Vai virando ruído na antena. Vai sujando o arquivo. Vai poluindo o que você ia fazer na sequência.
No caderno não tem like.
Escrever sem a ameaça constante do julgamento é a única forma de se conectar consigo mesmo — com as SUAS ideias, não com as ideias que já deram certo pra outra pessoa. Sem sinal de fora interferindo, sem algoritmo tentando te levar embora do agora.
O agora é onde mora a mágica. Não no amanhã quando as coisas vão estar diferentes. Não no depois quando eu tiver isso ou aquilo. Quando você escreve, toda informação que precisa já tá com você. Sem notificação. Sem like. Sem share.
Por favor, Senhor das Palavras, ajude o pessoal a se reconectar com si mesmos através da escrita. Que as musas nunca desistam. Que elas continuem sussurrando alguma coisa bonita no meio do rabisco sem sentido. Porque quando a gente tá escrevendo, a gente tá pronto pra escutar.
E o que não era, agora passa a ser. E a tensão vai embora. E fica só a vontade de fazer de novo amanhã — a esperança de que alguém, lá fora, também escutou.
(plim)