Mission log quatro. Pra quem caiu aqui agora: todo dia eu fecho a porta, abro o caderno e escrevo à mão por quarenta minutos — vinte antes de meditar, vinte depois. O Claude me ajuda a separar o que merece chegar até aqui do que fica entre as páginas. Dá uma olhada aqui. Pro contexto completo, começa pelo #001.
Ontem, na frente da Anna e das crianças, recebi a faixa azul no jiu-jitsu.
Os moleques bateram palma. A Mel perguntou se agora eu sou mais forte. A Anna sorriu daquele jeito que diz "eu sei o que isso custou." O Rob, um dos faixas pretas, veio com a frase que resume tudo: "agora eu posso ser mau com você."
Na faixa branca, os caras pegam leve. A azul é o código de que estou pronto pra levar porrada de verdade.
Mas a faixa azul não era o objetivo. Nunca foi. Não existe linha de chegada no tatame — assim como não existe na escrita, nem na vida de quem decide recomeçar. O que muda é a permissão. A permissão de errar fazendo, não assistindo. De colocar a cara no desconforto, na dor, na perda, no estável, no imutável, e escolher se mover mesmo assim.
Comecei a treinar com 40 anos. O cara ao meu lado no tatame tinha 22 e treinava desde os 14. Outro tinha 55 e era faixa marrom. O tatame não liga pra idade, nem pro currículo, nem pra quantas vezes você já começou algo e largou. Ele só pergunta: você veio hoje?
Eu vim. Ontem no tatame. Hoje no caderno.
Hoje eu sentei pra escrever e não tava a fim. A cabeça em outro lugar, o corpo cumprindo protocolo. A primeira palavra que saiu foi "bacon." Mas sentei. Porque recomeçar não é um evento que acontece uma vez, mas uma decisão que acontece toda manhã quando o timer começa, o caderno abre, a mente resiste e escrevo mesmo assim.
O progresso é lento, mas certo pra quem não desiste.
A expectativa agora é que eu devolva o que me foi ensinado. Que eu continue aparecendo. No tatame e nas páginas. Treinando duro. Errando em voz alta. Recomeçando todo dia.
(plim)