Mission log sete. Mesmo ritual, mesmo caderno, mesma porta fechada. Quarenta minutos de escrita, divididos na metade por vinte de meditação. Do caderno pro Claude peneirar; eu passo a faca. Quem chegou agora: #001 é o começo.
Essa semana foi mais cheia que de costume. Muitas reuniões, muito trabalho e muitas emoções. Por isso, os textos de ontem só saíram hoje de manhã. Zero drama. Mas acabei sentando pra escrever só no começo da tarde — e com o fundo da piscina sujo. Meu ritual de escrita foi uma tentativa de limpar.
Antes de começar, olho pro mood board e coloco a mente na frequência certa. Hoje, uma foto do David Choe me puxou o olhar. Ele é um artista de LA que descobri graças aos Deuses do Algoritmo e que virou referência. Dele aprendi algo sobre mim, sobre como me expresso: eu misturo a tinta das palavras antes de pintar. Demora. Às vezes suja. Mas quando sai, sai com a minha marca.
Quando sento pra escrever, não penso: descrevo a última coisa que aconteceu ou que pensei. Do jeito que vem à mente. Sem pensar muito nas palavras e me lembrando que a perfeição não existe, mas que vale a pena mirar nela.
Tento sempre melhorar, articular melhor e evitar o julgamento. Não importa se é bom. Importa tirar da cabeça.
Sem contar que essa parada de sentar pra escrever me dá mais energia que café. Porque além de limpar a mente, também me ajuda a priorizar DEPOIS. As ideias disputam atenção dentro do caderno. Ao sair dele, já chegam em fila.
A ideia de hoje apareceu depois de muitas linhas: não precisamos ter uma ideia nova todo dia. Dá pra falar da mesma coisa, de um jeito diferente, sob um outro ângulo, com novas analogias.
E por falar em falar — tem alguém no caderno que faz isso melhor do que eu. De poucas palavras, porque o que precisa ser dito é simples e visceral. Nasceu do desbalanço, palavra inventada numa sessão de psicanálise. Palavra essa que não existe no dicionário, mas que existe no caderno. E que agora quer sair dele.
Mais sobre a história do Ruff em breve. Por agora, ele disse uma coisa que ficou ecoando:

Eu sei, Ruff. E vou contar pra todo mundo até eles lembrarem.
Plim.