014 — Desculpa, filha

014 — Desculpa, filha

Mission Log catorze. Pra quem chegou agora, escrevo todo dia no caderno por vinte minutos contados no relógio; o Claude peneira o que vai pro site. #001 abre a série.


Hoje eu quebrei uma escova de cabelo de raiva. Até pedi desculpas pra Lili.

Não está fácil.

Não pela quantidade de filhos. Não por cuidar de todos durante as viagens da mamãe. Não por enviar propostas de trabalho que dão frio na barriga. Não pelo silêncio do cliente que some depois da proposta. Não por voltar pro computador pra publicar essa carta agora caindo de sono.

Não está fácil deixar você chegar assim tão perto.

É desconfortável mesmo se expor, ainda mais na internet. Mas esse desconforto gerou conversas muito mais profundas e transformadoras depois que comecei essa série.

Hoje, situações como a escova quebrada me fazem refletir não na falta de autocontrole, mas em todas as outras vezes que consegui me controlar. Não existe UM jeito de fazer as coisas. Que tá todo mundo fazendo seu melhor e que a gente também pisa na bola e que não precisa ter medo de falhar. Tá tudo bem.

Por isso, registro aqui também o meu pedido de desculpas, filha.

Mas mudando de pato pra ganso como diz minha mãe, ontem no caderno escrevi que ela e meu pai se conheceram no trabalho. Dois programadores de computador. E o filho aqui, criando o quê? Um sistema de extração de conteúdo a partir de carta escrita à mão.

É, parece que o fruto não cai muito longe da árvore mesmo.

Ah, as poéticas coincidências da vida....

(no LinkedIn de hoje, o que acontece quando você para antes — o que acontece quando se faz silêncio.)

Plim.