023 — Cinzas

023 — Cinzas

Mission Log vinte e três. Caderno novo, quadriculado em vez de linhas. Pra quem chega agora, a prática é escrever todo dia por vinte minutos contados no relógio (ou não), num caderno qualquer; uso IA pra peneirar o que publico na internê. #001 abre a série.


O caderno anterior acabou. Esse aqui chegou com quadradinhos ao invés de linhas. Vou me acostumar.

Comecei a lápis. Gosto do lápis. A sensação no papel, o som de cada rabisco... o lápis tem uma coisa que caneta não tem: ele fica menor a cada escrita. O custo de pensar é visível.

Tenho um apontador de manivela aqui no meu canto analógico. Antes de escrever, dou dois giros. Virou parte do ritual. Ele tem um coletor para as lascas (tem nome isso que sai do lápis quando a gente aponta?) que eu só esvazio quando não dá mais pra compactar.

Guardo todas as cinzas dos lápis que me ajudaram a pensar. Um pote de molho de abóbora que virou medidor de pensamentos...

Se penso melhor hoje do que há três anos? Com certeza.

Mas não são as cinzas que provam essa evolução. Elas só provam que eu sentei a bunda na cadeira e fiz o que me propus a fazer. De vinte em vinte minutos, por três anos.

Daí mudei pra caneta no começo da segunda página. Linhas mais finas, estética diferente. Agradável do seu jeito. Mas a caneta não fica menor. Não tem cinza pra juntar, só um tubo vazio.

Voltei pro lápis pra desenhar o Ruff que, do seu jeito, me lembrou:

Lápis, caneta ou vai deixar os pensamentos desorganizados hoje?

Plim.